15 agosto 2005

Num dos meus devaneios pelos anúncios publicitários portugueses, deparo-me com um, nomeadamente das superfícies comerciais “Feira Nova”, onde podemos ver um senhor e uma senhora a colocar um espantalho no seu quintal. Entretanto aterram por cima do espantalho dois ou três pássaros, indicando que o boneco ali colocado de nada serve, e que os animais lhes iriam consumir a plantação. Até aqui tudo normal. O diálogo que se segue arruina todo o anúncio:

Indivíduo do sexo masculino: “Deve haver outra maneira de termos frutas saborosas e legumes frescos todo o ano…”
Indivíduo do sexo feminino: “Só conheço uma maneira!”
Indivíduo do sexo masculino: “Só?”

Analisando: este “Só?” não vem nada a propósito. O indivíduo que segundos antes se questionava acerca de uma outra maneira de ter fruta fresca todo o ano, parece ter avistado uma luz ao fundo do túnel. Claramente, este “Só?”, em resposta ao “Só conheço uma maneira!”, só pode querer dizer: “Só? És muito fraquinha… Aliás és mesmo muito fraquinha… Aliás és tão fraquinha tão fraquinha que não fazias um anúncio melhor do que este. Quer dizer até fazias porque este anúncio é mesmo fraquinho. Tão fraquinho que eu nem devia perder o meu tempo com ele. Olha, vou mas é ali ao Continente comprar meio quilo de maçãs reinetas, porque realmente o Feira Nova é mesmo muito fraquinho.”.

Classificação do anúncio (numa escala 0-10): 0,5.

(Nota: estes 0,5 são atribuídos ao espantalho que nada tem a ver com a mediocridade dos publicitários portugueses de hoje em dia. Que é feito do criador do “Onde é que está o pão?”)

Instrumento J