Aqui há uns dias alguém se virou para mim (e digo virou porque a pessoa em causa estava nomeadamente de costas) e exclamou com bastante convicção a frase que se segue: “Tu realmente não existes!” e como esta não foi a primeira vez que realmente alguém se dirige a mim nestes termos, entrei em depressão e estou agora perante um crise existencial.
Porque se de facto eu não existo, quem é que todos os dias acorda de manhã sem vontade nenhuma de sair da cama? E quem é que todos os dias se dirige para o local de trabalho para fazer exactamente a mesma coisa do dia anterior? E quem é que todos os dias tem de ouvir a mamã a dizer “Come a sopa!”? (ok, este não sou eu; a mamã aqui em casa só diz frases dentro do género “Não faças xixi nas calças!”, ou mesmo “Não te quero fora da cama depois das dez da noite!”). E, finalmente, quem é que todos os Domingos é obrigado a sofrer com os desempenhos miseráveis da sua equipa de futebol? (Definitivamente, este sou eu…)
Se é um facto que esta expressão não segue à risca o verdadeiro sentido das suas palavras, também é verdade que muita gente como eu desejaria realmente não existir. Não pelo facto de se levantar todos os dias de manhã para ir para o trabalho, não pelo facto de ser obrigado a cumprir os seus deveres profissionais, muito menos pelo facto de ter de ouvir as repreensões da mamã; o problema prende-se com a realidade de sermos obrigados a ver o Benfica a jogar com três centrais (quando passou toda a pré-época a jogar com dois), de ver um treinador que adapta um médio a lateral direito, que usa um central adaptado a lateral esquerdo quando tem no banco um de raiz e que põe o Carlitos a jogar a titular.
By Instrumento J

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